|
Está desempregada ou anda à procura do primeiro emprego?
O mercado está difícil, é verdade, mas você vai conseguir aquele trabalho que tanto procura! Fique a par das melhores estratégias, vá à luta e, acima de tudo, não desista ao primeiro “não”.
Procurar emprego é, em si, um trabalho a tempo inteiro. Vai ter de redigir um currículo bem pensado, seleccionar criteriosamente os anúncios de emprego e fazer o balanço da sua carreira – o que fez até agora e até onde quer chegar.
Se antes lhe bastava perguntar aos amigos se sabiam de alguma vaga aberta e sublinhar a vermelho uns quantos anúncios de jornal, hoje é inevitável que tire o máximo partido das novas tecnologias. Especialistas em Recursos Humanos dão lhe pistas para ser bem sucedida nesta nova etapa da sua carreira.
Por onde começar?
Responda apenas aos anúncios para os quais tenha as habilitações pretendidas. Os especialistas do Instituto de Emprego e Formação Profissional dão lhe alguns conselhos que deve seguir.
- Fale com a sua rede de conhecimentos – Informe amigos, família, contactos profissionais e vizinhos que procura emprego e fique a conhecer as oportunidades de trabalho que eles conhecem. - Procure na Internet – Existem sítios onde pode pesquisar ofertas de emprego no País e estrangeiro, deixar o seu currículo numa base de dados e consultar artigos que ensinam a redigir um currículo ou a gerir a sua carreira. - Saía à rua – Consulte boletins ou quadros com anúncios existentes no supermercado, Juntas de Freguesia, Lojas, Centros Paroquiais e Juvenis ou outros locais públicos. - Consulte o Jornal diariamente – Novas oportunidades aparecem todos os dias na Imprensa. Leia o “ Diário da República” para candidaturas a empregos públicos. - Ouça as Rádios Locais – Por vezes os empregadores recorrem a eles quando necessitam de colaboradores com urgência. - Informe-se sobre novas ofertas nos Centros e Clubes de Emprego. UNIVA’s ou agências de trabalho temporário. - Dê o primeiro passo – Publique o seu próprio anuncio de emprego em sites da Internet, Jornais, Placards de supermercado, Centros de Emprego. Tenha em atenção que o anúncio deve ser curto, claro e apelativo. -Não deixe de se candidatar se pedirem pessoas até aos 35 anos só porque tem 36 ou 37. “ Comunicamos aos nossos clientes quando temos uma candidatura de alguém que ultrapassa um pouco a idade, mas que tem um currículo interessante “ explica Amândio da Fonseca, administrador-executivo do Grupo Egor, empresa especializada em consultoria de recursos humanos. - Seja espontâneo/a. Pesquise (na Internet, nas páginas amarelas) as empresas que empregam pessoas no seu ramo de actividade. Envie um currículo acompanhado de carta de apresentação, mostrando se interessada em trabalhar com elas – chama-se a isto uma candidatura espontânea.
Como redigir um currículo?
É a sua folha de apresentação ao mundo laboral: diz quem você é, quem confiou em si antes, quais as maiores responsabilidades que depositaram nas suas mãos. “Ainda há muita gente que não sabe redigi-lo”, diz Amândio Fonseca. Tiramos-lhe todas as dúvidas que possa ter.
Prenda-os à leitura!
Torne o seu currículo mais apelativo e profissional, para que os empregadores fiquem com vontade de a contratar antes mesmo de a conhecerem pessoalmente. - Não ultrapasse as duas páginas. - Não use frases longas; resuma tudo ao essencial. - Comece pelos factos mais recentes e relevantes da carreira e não pelos mais antigos. - Escolha um tipo de letras simples e legível, com tamanho entre o 10 e o 14. Evite usar itálicos sublinhados ou sombreados, que prejudicam a leitura. - Não necessita de incluir todos os empregos que teve na vida, apenas os que julga serem relevantes para a carreira que quer prosseguir. “ Se desempenhou algum cargo que detestou, não o mencione no currículo, ou poderá vir a ser contratado por causa daquilo que detestou “, diz ao “Wall Street Journal” o director da empresa norte-americana First Transitions. - Há informação desnecessária: fotografia (salvo quando pedido), número de contribuinte ou carta de condução, só interessam na altura de assinar o contrato. - Reveja mais do que uma vez: erros ortográficos ou de sintaxe deixam má impressão.
Organize-o bem e pela seguinte ordem
- Dados pessoais – No topo da página, à esquerda, indique o seu nome, morada, e-mail, telefone, nacionalidade e número de B.I. - Resumo Curricular (opcional) – um parágrafo breve que apresente de forma teleférica um resumo de carreira. Exemplo: “ Chefe de Departamento Financeiro. Técnica de contas. Licenciada em Contabilidade. 10 Anos de experiência. “ - Objectivo de candidatura – São as funções a que se candidata e que está habilitada a exercer. - Habilitações Escolares e Profissionais – Comece pelo grau académico mais recente e indique o ano em que o concluiu e em que escola. As médias de curso não são assim tão relevantes. “ Só as empresas com pouca cultura empresarial é que se preocupam demasiado com isso “, esclarece Amândio da Fonseca. Não se esqueça de mencionar os cursos profissionais. - Experiência Profissional – Da mais recente para a mais antiga, indicando a empresa, o cargo que ocupou, as funções exercidas e as datas entre as quais as desempenhou. - Outras Qualificações – Espaço para as línguas faladas e escritas e conhecimentos informáticos. - Outros interesses – Hobbies, filiações associativas, trabalho comunitário, seminários a que assistiu, artigos ou livros publicados. Hoje, valorizam-se as competências de trabalho em equipa, liderança e motivação, e os seus hobbies podem ajudar a passar essa mensagem, como explica Amândio da Fonseca. “ Pode ser positivo incluir desportos colectivos que pratique. No currículo de um jovem, pode ser importante falar do Inter Rail que se fez ou dos Trabalhos de Verão.” - Junte uma carta de candidatura – serve para solicitar a realização de uma entrevista, informar o empregador do posto a que se candidata e de segue um currículo seu em anexo. Escolha frases simples, não lhe dê mais que três parágrafos e escreva-a dirigindo-se ao empregador com formalidade. Inclua ainda nome, morada, contactos, a referência ao anúncio e onde foi publicado.
O momento da entrevista
Se chegar a esta fase é porque o seu currículo já convenceu de alguma maneira quem o leu. Nesta fase decisiva, o empregador tenta perceber se a pessoa corresponde ao que leu dela. - Seja você própria – Não tente impressionar o entrevistador. “ Muita gente tem tendência a representar na entrevista de emprego, o que é um erro “, diz Amândio da Fonseca. - Informe-se sobre a cultura da empresa – códigos de vestiário, historial, projectos em que está envolvida. Pesquise na Internet, se for possível consulte pessoas que lá trabalham, e prepare um conjunto de perguntas inteligentes para fazer na entrevista. - Não assuma uma posição passiva – Uma entrevista não é um interrogatório policial. Também está na sua mão fazer perguntas sobre o seu futuro por lá : que responsabilidades lhe irão atribuir, quais as possibilidades de progressão na carreira. Como salienta Amândio da Fonseca “ isso demonstra que está empenhado e que não está desesperado por um emprego”. - Não diga mal do antigo empregador … mesmo que tenha razões para isso. - Prepare-se para ser testada – pense na resposta que dará a perguntas incómodas: “Porque é que saiu do seu anterior emprego? “ “ Porque é que teve tantos empregos nos últimos anos? “ Pode não ser boa ideia dizer que mudou de emprego porque se incompatibilizou com a sua chefia. - Não pergunte pelo salário – se o entrevistador não o mencionar, não o faça também. “ No limite, pode falar da remuneração que tinha no último emprego – está implícito que espera alguma melhoria”, diz Amândio da Fonseca. - Não responda logo à proposta – “ O melhor é pedir 24 horas “, aconselha o Administrador-Executivo da Egor. Peça 24 horas para falar com a família, mesmo que já saiba que vai responder positivamente.
Cristina Tavares Correia |