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A linguagem corporal pode melhorar a relação com os outros, mas também pode prejudicá-la
Quando conhecemos alguém, perto de 80% do impacto que causamos é não verbal. Isto de acordo com Allan e Barbara Pease, os especialistas em linguagem corporal que partilham connosco algumas dicas para “dizermos algo mais” – com a linguagem corporal adequada.
Uma das componentes mais importantes da comunicação é a não verbal, nomeadamente a linguagem corporal: responsável por 60 a 80% do impacto produzido numa reunião ou numa negociação, por exemplo. Mais: a impressão inicial causada junto de quem acabamos de conhecer tem uma forte componente de linguagem corporal e estabelece-se em menos quatro minutos. Para a generalidade das pessoas a linguagem corporal (o que é apenas parcialmente controlada), quando interpretada de forma adequada pode revelar sentimentos e pensamentos, sobretudo os que se quer esconder. E isso é tanto mais importante quando a linguagem corporal expõe os sentimentos mais profundos e que se quer manter como tal – como estarmos ansiosos e a nossa linguagem corporal acentuar a ansiedade. Uma das formas para reduzir a ansiedade é controlar alguns mecanismos básicos e simples de comunicação não verbal. Por exemplo, como comportar-se numa entrevista de emprego:
- Comece sempre a sua campanha de emprego na zona de recepção. Permaneça de pé enquanto espera – ao sentar-se pode desaparecer do campo de visão da recepcionista. Mostre-se confiante e a recepcionista poderá dar essa impressão sobre si quando ligar ao patrão. - Faça uma boa entrada. Mantenha uma passada firme e uniforme quando se dirigir para a sala onde se realiza a entrevista. Se não sabe para onde se dirigir, pare à porta e certifique-se de que é a sala, antes de prosseguir suavemente. - Se se sentir bem recebido, apresente-se com um aperto de mão e mantenha a palma da mão direita. Exerça a mesma força que recebe - nem mais, nem menos. As mulheres que iniciam um aperto de mão firme são consideradas de espírito Maios aberto e causam uma melhor primeira impressão. - Se tiver de se sentar numa cadeira no outro lado da secretária do entrevistador, rode 45 graus para um dos lados – é uma posição não ameaçadora. - Mantenha todos os movimentos de mão abaixo do pescoço: mostra que está sereno, calmo. - Quando estiver de saída, se for mulher vire-se e sorria – não deixe que as costas sejam a sua última impressão. Se for homem, engraxe os sapatos antes da entrevista – sem esquecer a parte de trás.
Nas reuniões toda a nossa comunicação verbal e não verbal, está sob escrutínio cerrado. Algumas dicas importantes relacionam-se com a segurança e confiança que conseguimos transmitir e com a capacidade de persuadirmos os restantes participantes em relação às nossas ideias e propostas.
Participar numa reunião - Quando sentado, mantenha-se os cotovelos para fora: demonstra confiança e calma. - Se for o caso, levante-se quando tiver de falar: o que disser será mais facilmente recordado. Pode utilizar várias palavras-chave para resumir uma nova proposta ou ideia, algumas das mais persuasivas são: “Vai gostar dos resultados desta nova descoberta, que já demonstrou garantir melhor saúde, poupa dinheiro, é seguro e fácil de usar”. – Não compraria? - Leve uma pasta pequena; uma grande pode transmitir a ideias de ineficiência. - Mantenha o casaco aberto, de forma a não parecer “fechado”.
Espelhar o interlocutor
Existem algumas dicas genéricas em relação à linguagem corporal válidas para quase todas as ocasiões e que se prendem, por um lado, com a segurança e confiança que queremos que nos seja dada pelo nosso interlocutor. O mais importante não é o que dizemos, mas sim todo um conjunto de sinais corporais que podem confirmar, desmentir, acentuar ou ir além do que o que dizemos.
Existem algumas indicações basilares sobre a importância da criação de sintonia com o interlocutor: uma das mais poderosas formas de criar vínculos e de sermos aceites. O espelhamento, isto é, imitar os movimentos e os gestos do nosso interlocutor, é uma das formas mais comuns para criar sintonia.
No entanto, existem comportamentos de espelhamento que devem ser evitados, como, por exemplo, não se espelhar um comportamento que indica superioridade e poder por parte de um patrão. A um nível não verbal, o espelhamento inclui a imitação não só dos gestos e movimentos, mas também da entoação, inflexão e ritmo de discurso do interlocutor. É mais uma forma de dizer: “Olha para mim, sou igual a ti, ti o mesmo e partilho as mesmas atitudes.”
LINGUAGEM CORPORAL: DEZ DICAS VENCEDORAS 1. Mantenha visíveis as palmas das mãos – parecerá mais aberta e credível. 2. Tenha os dedos das mãos juntos – mostra segurança. 3. Mantenha os cotovelos para fora – mostra confiança e calma. 4. Respeite o espaço pessoal do seu interlocutor. 5. Espelhe a linguagem corporal deste. 6. Tenha o mesmo ritmo de discurso que o seu interlocutor e espelhe as suas inflexões de voz e entoação – não fale mais depressa, pois fará que ele se sinta pressionado, o que significa que não está a conseguir seguir o fio do seu raciocínio. 7. Mantenha os braços descruzados – demonstra abertura às ideias do seu interlocutor. 8. Se possível, toque no cotovelo do seu interlocutor – criando um laço momentâneo (sobretudo eficaz com pessoas cuja cultura não favorece o toque a estranhos, como é o caso dos países anglo-saxónicos, escandinavos e Portugal, entre outros). 9. Repita o nome do seu interlocutor – cria empatia. 10. Evite tocar na cara – é uma indicação de que pode não estar a ser honesto.
Allan Pease - Psicólogo Pease International e Barbara Pease - Pease International |